Camila Baker Lives In Concert

The actress playing Camilla picks up a chair and walks towards the proscenium. The actress playing Virginia does the same. Both sit on their chairs acting like they are inside Virginia’s “car” which is conducted by her. Scene Two begins.

CAMILLA

Virginia, are you my best friend?

VIRGINIA

Well… Yeah… I think so.

CAMILLA

How come you think so? Either you are, or you aren’t!

VIRGINIA

Well… I always thought Melody was your best friend.

CAMILLA

Melody is a deceiver. She said she was my best friend, but… She took Joseph away from me. He loved me, he wanted to marry me and she seduced him, that slut!

VIRGINIA

But you always said you hated Joseph, that you’d never ever marry him!

CAMILLA

It doesn’t matter! That’s no excuse for what she’s done to me. I hated him. True! He and that awful breath of his… But she took him away from me. She shouldn’t have done that to me! But now answer me, are you my best friend or not? I have to know.

VIRGINIA

Well… if you insist… But why you wanna know whether I’m your best friend or not?

CAMILLA

For Christ sake, Virginia! Why all these questions? Can’t you just answer me with a simple yes or no?

VIRGINIA

I’m trying to figure that question out through a larger scope in order to obtain a lucid and satisfactory answer on such a complex issue regarding our friendship!

CAMILLA

What the hell!

VIRGINIA

I don’t want you to be mad at me, Camilla!

CAMILLA

Virginia, I have something in here, that I’ve kept deep inside of me and I need to share it with someone. And who would be a better person if not my best friend? That’s why! Virginia, I need to know! Are my best friend or not?

VIRGINIA

Well, Camilla, you should know that we couldn’t measure friendship with words! We should judge friendship through actions!

CAMILLA

So what?

VIRGINIA

So What? Well… Let me see… You want to know if I’m your friend/

CAMILLA

I want to know if you are my best friend! Carol, for instance, she’s my friend. But she isn’t my best friend ‘cause she is already Sandy’s best friend. And I don’t think someone could be the best friend of two different people at the same time.

VIRGINIA

All right. You want to know if I am your best friend. But, have I ever acted in any way that hurt your feelings, disappointed you or didn’t show you how much I love you?

How much I care for you?

CAMILLA

There was that time when you chopped my favorite doll’s hair…

VIRGINIA

Please, Camilla! We’re just kids!

CAMILLA

Well… You told Harold that I’ve already gone out with all the guys in the neighborhood when you knew that I was in love with him!

VIRGINIA

But that was true!

CAMILLA

No, it wasn’t! I hadn’t been out with all the guys in the neighborhood! I hadn’t been out with Harold yet!

VIRGINIA

Well… anyway, I think none of those things prove that I’m not your best friend!

CAMILLA

At chemistry’s 101 final test you gave me only the wrong answers! I failed and I couldn’t go to summer camp to meet Clayton!

VIRGINIA

I didn’t do that on purpose! I must have copied them wrong myself!

CAMILLA

Are you sure? Then, why you started dating Clayton that very same summer?

VIRGINIA

Well… You can’t blame me for Clayton falling in love with me!

CAMILLA

He didn’t fall in love with you! He was just using you!

VIRGINIA

And how can you be so sure about that?

CAMILLA

‘Cause of the letters he sent me every day!

VIRGINIA

But you never told me anything about it!

CAMILLA

You never asked!

VIRGINIA

Camilla, I never thought you could hide something like that from me! I always thought you were my best friend!

CAMILLA

But, ‘till a few minutes ago you couldn’t tell whether you were my best friend, or not!

VIRGINIA

So not true! I think I’ve already proved my friendship to you!

CAMILLA

Like what?

VIRGINIA

Like what? Well… I can’t remember any right now. But, I sure am your best friend! And I feel really sad to know you doubt it!

(VIRGINIA starts crying and she let go of the steering wheel. CAMILLA grabs the steering wheel, desperately and tries to control Virginia’s car)

CAMILLA

Oh, please, Virginia! Don’t! I didn’t mean it! I didn’t want to hurt your feelings! I don’t have any doubts about your friendship. I know you are my best friend!

(Calmer, VIRGINIA grabs the steering wheel again, tranquilizing CAMILLA.)

VIRGINIA

Oh, that’s nice, Camilla! You know I like you so much that I’d never do anything to hurt you either!

CAMILLA

I know. But why did you tell all the boys that I had syphilis?

VIRGINIA

(crying again, letting go of the steering wheel)

Oh, Camilla, please! How rude!

(CAMILLA grabs the steering wheel, desperately.)

CAMILLA

Forgive me, Virginia! Now, that I know you are indeed my best friend, I think I can tell you my secret!

VIRGINIA

(Curious, stops crying and grabs the steering wheel)

A secret?

CAMILLA

Yes! You know, Virginia… I’m going to run away from home! My parents don’t know yet but I’m going to Broadway. I’m gonna be an actress and, some day, when I dwell in the Olympus, I know they will produce a play telling pieces and parts of my life and my greatest successes: Camilla Backer, Life and Work!

(CAMILLA notices the way VIRGINIA looks at her, in disbelief)

CAMILLA

Well… Maybe I’m overacting…

VIRGINIA

Yes. Just a little, perhaps…

CAMILLA

Do you think I’m talented?

VIRGINIA

Talented? Well…

CAMILLA

Yes or no?

VIRGINIA

Camilla, you know I’m your best friend and I’ll always be there for you. And you can count on me whenever you need, except on Tuesdays ‘cause I’m at the gym.

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A RIGIDEZ QUE PROVOCA O RISO

Voltemos ao assunto principal do post anterior: o mecânico inserido na vida (e voltaremos sempre nele, pois, lembre-se, é dele que vem a comédia). O mecânico inserido na vida (agir, falar, ou se comportar mecanicamente) implica em uma certa rigidez.

Por extensão, tudo o que nos servir como uma espécie de armadura, nos aprisionando e limitando-nos de algum modo, será engraçado.

Daí, temos, por exemplo, o corpo aprisionando a alma, ou, os gestos cristalizando as idéias. Napoleão teria dito que qualquer discurso fica engraçado a partir do momento em que a pessoa que fala pede para sentar-se. É como se ela lembrasse da existência do corpo, quando o que está em questão são as idéias fluídas, livres, vivas.

As roupas, no fundo, são uma espécie de “armadura” que aprisiona o corpo, assim como as cerimônias sociais e toda a sorte de convenções inserem certa rigidez em nossa vida cotidiana.

Da mesma maneira, o sentido literal de uma palavra é como uma couraça que aprisiona as idéias que são geradas e estão relacionadas àquela palavra.

Assim sendo, as coisas mundanas, terrenas, o próprio planeta, pode ser considerado uma masmorra onde nos encontramos desterrados, quando nos referimos a metafísica, ao esoterismo, a religião e a tudo o que é sagrado.

Ainda, por extensão, se colocarmos as leis da sociedade acima do bom senso; ou, pior, acima das próprias leis na natureza (como uma armadura que quer moldar o que é incontrolável); se tratarmos os fenômenos naturais como sendo simples mecanismos, teremos também um poderoso efeito cômico.

E tudo isso provém, simplesmente da mesma fonte: o mecânico inserido na vida e a rigidez que ele provoca. Portanto, quaisquer outras associações que formos capazes de fazer onde temos algo sendo aprisionado por alguma outra coisa e que nos pareça um exagero, repetiremos o mesmo efeito cômico.  Já somos capazes, então, de traçar algumas fórmulas para se fazer rir:

# Falar do corpo, quando é a alma que está em jogo.

Exemplo: “O que acontece depois da morte? Existe um além? Se existe, como as pessoas se vestem por lá?”

# Falar do físico, quando é o moral que está em jogo.

Exemplo:

“Aquela mulher era de uma moral ilibada, mesmo com seios tão fartos.”

“- Ela ganhou o Nobel de Ciências!” “- Também, com aquelas coxas!”

# Tomar no sentido literal, algo que estava sendo colocado no sentido figurado. Exemplo:

“- Meu amigo, a Bolsa é um jogo perigoso. Ganha-se num dia e perde-se no dia seguinte.”

“- Então jogo dia sim, dia não.”

# Falar da roupa, quando é o corpo que está em discussão.

Exemplo: 

“Oswaldo estava tão alinhado no enterro. Parecia bem melhor morto”.

# Falar do terreno, quando é o sagrado que está em jogo.

Exemplo:

“Estava pensando em Jesus, se ele era carpinteiro, quanto cobraria pra fazer uma estante?”

# O mecanismo inserido na vida.

Exemplo: 

“Por favor, repita o eclipse para que eu possa vê-lo”.

# Uma regulamentação automática da sociedade.

Exemplo: 

“Depois de cometer o crime, ele fugiu sobre os trilhos infringindo uma lei da companhia”.

# Uma regulamentação humana a substituir as leis da natureza.

Exemplo:

“Se a lei da gravidade nos prende ao chão, que esta lei seja abolida e criemos uma outra”.

OS VÁRIOS ÂNGULOS DE UM MESMO ASSUNTO

Todo assunto tem, pelo menos, dois lados. É disso que parte a comédia. Se, para cada assunto que tratamos, descobrimos dois lados diferents, ou melhor ainda, antagônicos, teremos já uma fonte rica de piadas. Teremos as nossas duas idéias que andam juntas, até certo ponto.

  • Sagrado x Profano.
  • Solene x Familiar.
  • Clássico x Popular.
  • Realidade x Fantasia.
  • Ideal x Real.
  • Sonhar x “Estar acordado”.
  • Ciência x Bruxaria.
  • Verdade x Lenda.
  • Física x Metafísica.

Estes são apenas alguns exemplos de dois lados de uma mesma moeda. Desta maneira, se, ao exprimirmos um tema, formos capazes de contrapor dois lados, poderemos provocar o riso.

A MUDANÇA DE TONS

Podemos ir ainda mais longe. Para cada ponto de vista, para cada ângulo exposto, existe também uma atitude que está relacionada a ele: falar do sagrado nos exige uma atitude de respeito, de veneração. Falar do profano, uma atitude exatamente oposta. Portanto, a atitude que usamos em relação a determinado tema poderá ser, ela própria, a maneira de introduzirmos a “segunda idéia” ao nosso discurso (que é essencial para se “armar” a piada e provocar o riso). Sendo assim, se falarmos de algo familiar, ou seja, alguma coisa corriqueira, como se ela fosse algo solene, provocaremos o riso. Da mesma maneira, o riso será obtido se você:

  • Falar sobre algo profano como se fosse sagrado.
  • Falar sobre o real, como se fosse o ideal.
  • Falar sobre uma lenda como se você verdade.
  • Falar sobre algo científico como se fosse bruxaria.
  • E vive versa e assim por diante.

Bergson nos diz algo muito interessante:

Regra: obtém-se um efeito cômico transpondo a expressão natural duma idéia num outro tom. Podemos distinguir dois tons extremos: o familiar e o solene. Transpomos o solene em termos familiares e temos a paródia. Falar das coisas pequenas como se elas fossem grandes é, duma maneira geral, exagerar. O exagero é cômico quando é prolongado e, sobretudo, quando é sistemático. É então, com efeito, que ele surge como um processo de transposição. Exprimir, em termos de honestidade uma idéia desonesta; pegar uma situação escabrosa, numa ocupação inferior ou numa conduta vil e descrevê-las em termos de respeitabilidade, é geralmente cômico”.

E ele prossegue:

“A transposição pode dar-se do muito grande para o muito pequeno; do melhor para o pior; de cima para baixo; de um sentido para o outro e vice versa. A transposição também pode ser bem sutil, como a do real para o ideal, do que é ao que devia ser.

IRONIA: Falar-se naquilo que deve ser, fingindo que se acredita que é precisamente o que é.

HUMOR: Descrever-se minuciosamente e meticulosamente o que é, fingindo acreditar que é isso que as coisas deviam ser. O humor é o inverso da ironia”.

EXERCÍCIO 2

Todo tema, toda idéia tem, pelo menos, dois lados, ou dois diferentes pontos de vista. É disto que parte a comédia. Então, pegue a lista com os temas que você selecionou o sobre os quais escreveu no exercício 1. Em seguida, para cada tema, faça uma lista relacionando-o com dois ângulos diferentes. Por exemplo, digamos que um de seus temas seja “dinheiro”. Sua lista de “Terreno x Sagrado” poderia ser:

Terreno Sagrado
Dívidas

Jogo

Empréstimo

Contas

Dízimo

Ofertas

Caridade

Esmola

Agora faça suas próprias listas. Para te ajudar a começar, use os exemplos que eu citei e expresse suas idéias em termos de:

  • Sagrado x Profano.
  • Solene x Familiar.
  • Clássico x Popular.
  • Realidade x Fantasia.
  • Ideal x Real.
  • Sonhar x “Estar acordado”.
  • Ciência x Bruxaria.
  • Verdade x Lenda.
  • Física x Metafísica.

Lembre-se que a lista não se esgota aqui. Depois de usá-la, tente outros diferentes pontos de vista que você pode relacionar com o tema que estiver abordando.

Até o próximo post!

 

 

O TRABALHO DO COMEDIANTE

Já dissemos que toda piada carrega em si duas idéias que caminham juntas até certo ponto, quando elas obrigatoriamente, devem se separar e seguir cada uma seu caminho distinto.

O trabalho do escritor de comédia é:

  • escolher quais são essas duas idéias;
  • determinar o ponto em que as idéias devem se descolar uma da outra, quando ele revelará a idéia que estava oculta.

Se o público perceber antes que a mudança irá acontecer, a piada não terá efeito. É exatamente o que acontece quando escutamos uma piada óbvia. Se pudemos prever o final, a piada perde a sua graça.

Se, ao invés disso, a relação entre as duas idéias não fica claramente estabelecida, é muito distante, ela também não terá efeito pois o público será incapaz de perceber que escorregou na casca de banana. Então, por que cair no chão? Se não existe o tombo, não existe a piada.

O escritor de comédia precisa, portanto, tomar cuidado para:

  • não ser óbvio demais
  • não ser obscuro demais

Eis a dificuldade imposta pela comédia: a medida exata que separa a piada da obviedade e da falta de clareza. Ela tem de estar exatamente entre as duas coisas. Tem que ser clara, mais não pode ser previsível. Tem que esconder algo, mas não o tempo todo.

Por este motivo também o nonsense nem sempre é engraçado. Se o público nem percebe uma relação, por mais tênue que seja, no que está sendo dito, não haverá motivo para achar graça.

EXERCÍCIO 1

Nosso primeiro exercício será o de escolher idéias ou temas sobre os quais queremos falar. Como sugestão você pode pensar em:

  • Sua própria vida
  • Sua família
  • Fatos do jornal
  • Observações do cotidiano
  • Temas filosóficos: o pecado, o perdão, etc.
  • Temas diversos: sexo, drogas, cachorros, dentistas, padres, dinheiro, dívidas, etc.

Escolha sobre o que quer falar. Depois de escolher o seu tema, faça uma lista sobre todas as idéias e palavras que vêm a sua mente quando você fala daquele assunto (mesmo aquelas idéias que não pareçam óbvias para as outras pessoas).

Exemplo tirado do livro ESCREVENDO COMÉDIA – PASSO A PASSO de Gene Perret.

TEMA: Cães

Associação livre:

  • narizes molhados, xixi no tapete, mastigar e destruir coisas com os dentes que estão nascendo. Brincar de pegue, sente e guarde. Ele traz seus chinelos, o cachimbo e  o jornal da manhã. Ele adora perseguir gatos e carros. As visitas ao veterinário e a compra de ração para cães. As orelhas humanas e as orelhas de um cão.

TEMA: Mulheres

Essa foi uma lista que eu fiz pra me ajudar a escrever os esquetes e textos cômicos do livro LOUCAS DE PEDRA.

Associação livre:

  • Mulheres: sexo frágil, os homens dizem que são péssimas no volante, trabalhos domésticos, discriminadas no mercado de trabalho, cosméticos, maquiagem, conversas no toalete, falam demais, românticas, menstruação, sensíveis, horóscopo, esoterismo, vítimas preferidas dos assaltantes, fofocas, chá de cozinha, bichinhos de pelúcia, bonecas, vestidos, sapatos de salto alto, namorados, casos antigos, maridos, divórcios, brigas com o cônjuge, maternidade, filhos, anticoncepcionais, virgindade, baratas, medo de baratas, adoram cachorrinhos, lacinhos de fita, adoram que datas sejam lembradas,  fazem perguntas para os homens esperando por uma resposta negativa, abrir tampas,  habilidade ou falta de habilidade na preparação de um jantar, ginástica olímpica, balé, preocupação com a balança, dieta, regime, adoçante, alimentos diets, medo da balança, celulite, estrias, peitos caídos, silicone, operação plástica, out doors com mulheres semi nuas, biquínis, lingerie, depilação, cêra quente.

Quanto maior a sua lista, melhor.

Depois faça uma lista organizada por pessoas, lugares, coisas, eventos e frases:

 

PESSOAS LUGARES COISAS EVENTOS FRASES
Anitta

 

Sabrina

Tati Quebra Barraco

Valeska Popozuda

Martha Suplicy

Mamãe

Cleo Pires

Fátima Bernardes

Mulher Samambaia

Renata Vasconcelos

Carolina Ferraz

Gisele Büntchen

Sogra

 

 

 

Salão de Beleza

Academia

Ioga

Casa

Trabalho

Trânsito (Carro)

Supermercado

Shopping Center

Teatro

Grupo de grávidas

Terapia

Supermercado de cachorros

Cozinha

Banheiro

Casa da sogra

 

Batom

Maquiagem

Cosméticos

Cabelos

Pele

Bichinhos de pelúcia

Escova

Chapinha

Celular

Chave do carro

Bolsa

Secador de cabelo

Sapatos

Roupas

Velas

Cachorros

Livros

Baratas

 

Casamentos

Festas

Chás de cozinha

Chá de bebê

Jantar Romântico

Compras

Aniversário de 15 anos

Aniversários

Meditação

Preparação de comida

 

 

“Mulher é o sexo frágil”

“Mulher no volante, perigo constante”

“Toda mulher, um dia, quer ser mãe”

“Mulheres gostam de falar mal dos outros”

“Mulheres são desunidas”

“Mulheres falam demais”

“Mulheres gastam muito dinheiro com roupas”

“Mulheres não gostam de repetir uma roupa”

“Mulheres adoram ir às compras”

‘Mulheres tem medo de barata”.

“Pilotar fogão”

“Esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque de lavar”.

“Mulheres sempre demoram para se vestir”

Depois, faça a mesma lista do inverso:

Pessoas Lugares Coisas Eventos Frases
homens tímidos

homens extrovertidos

Reinaldo Gianechinni

Édson Celular

Brad Pit

Costinha

Chico Anísio

Jô Soares

Academia de Boxe

Vestiário masculino

Campo de futebol

Sex Shop

Clube do Charuto

Jockey Clube

Puteiro

Café Photo

 

Cacetete

Luva de boxe

Camisa social

Terno e gravata

Farda

Uniforme de bombeiro

Sapatos de cromo alemão

Kichute

Chapéu

Sunga

Samba calção

Cueca

Rolex

Soco inglês

Barbeador

Loção Pós Barba

Perfume masculino

Partida de Futebol

Luta de Boxe

Jogo de Poker

Briga de galo

Show de strip feminino

Putaria

Despedida de Solteiro

Reunião de negócios

Boteco

“Homens são fortes”

“Homens não choram”

“Homens não têm medo de nada”

“Homens sustentam as suas famílias”

“Homens só pensam em sexo”

“Homens só pensam em peito e bunda”

“Homens não sabem escutar”

“Homens são insensíveis”

“Homens não beijam homens”

“Homens não sabem quando as mulheres estão fingindo”

“Homens não brocham”

“Mulher minha não trabalha fora”

 

Em seguida, com ajuda de um gravador, comece a dissertar sobre aquele assunto. Fale tudo o que vier a sua cabeça. Não se critique e não tente ser engraçado. Apenas ponha para fora. Se preferir, ou se não tiver um gravador à mão, escreva. Escreva o máximo que puder. Se no meio você mudar de assunto, não tem problema. Deixe que as idéias fluam.

Até o próximo post!

As Leis do Cômico

O filósofo Henri Bergson estabeleceu as leis do cômico num de seus ensaios reunidos no livro O RISO.

# 1 – O Mecânico inserido naquilo que é vivo.

Tudo que nos lembrar ou remeter a algum mecanismo inserido em nossas vidas será cômico. Esse efeito é extremamente amplo e praticamente todas as demais leis do cômico, no fundo, derivam dessa primeira lei.

Pense no quid pro quo (em português, quiprocó).

Quid pro quo é uma expressão latina que significa “tomar uma coisa por outra”. Refere, no uso do português e de todas as línguas latinas, uma confusão ou engano.

Quiproquó é o nome dado para uma situação onde determinado equívoco é gerado por engano. O quiproquó é definido quando alguém confunde um objeto ou situação pelo seu total oposto, através de uma ação considerada tola e mal-entendida.

No quiprocó, uma ação tomada a partir de um erro de julgamento ou equívoco provoca um efeito em cadeia de erros sucessivos com consequências cada vez piores. Esse é um famoso efeito usado em comédias até hoje. E o que é o quiprocó se não um mecanismo inserido na vida? As pessoas vão agindo como peças dentro de uma engrenagem, sem se darem conta do erro inicial e como se não pudessem voltar atrás para consertar seus equívocos.

Vamos ampliar um pouco esse pensamento. Lembre-se agora dos diversos filmes besteirol que fizeram tanto sucesso na década de 80 e 90. APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU, a série CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ, a série TOP GANG. O que esses filmes tem em comum? Eles satirizam gêneros do cinema. Mas o que são os gêneros com as suas regras e pilares se não uma espécie de couraça que engessa a história? Ao dar ênfase a estrutura do gênero, em vez de escondê-la atrás da história, criamos humor e piadas porque estamos revelando o mecânico inserido na história.

Woody Allen é um mestre nisso.

No livro Cuca Fundida que reúne pequenas crônicas públicadas em revistas, Woody Allen faz uso de diversos gêneros para criar textos engraçadíssimos.

# 2 – Rimos de tudo o que nos dá a impressão de ser um disfarce. Por isso, será cômica toda a deformidade que uma pessoa for capaz de imitar, como se tal não passasse de um disfarce.

Outro efeito muito utilizado em comédias.

O JOVEM FRANKENSTEIN.jpg

Você se lembra do personagem hilário interpretado pelo genial Marty Feldman no filme O JOVEM FRANKENSTEIN de Mel Brooks cuja corcunda mudava de lugar? Talvez o melhor exemplo de uma deformidade cuja imitação é capaz de provocar muitas risadas.

Lembre-se também das inúmeras vezes em que Pernalonga se disfarçou de mulher para enganar seus algozes.

As comédias baseadas na troca de papéis, que nada mais são do que o uso de disfarces para fugir de uma situação complicada.

Em QUANTO MAIS QUENTE MELHOR, Tony Curtis e Jack Lemmon disfarçam-se de mulher para fugir dos gangsters que os perseguem.

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Em MUDANÇA DE HÁBITO, Whoopi Goldberg se disfarça de freira porque é testemunha ocular de um assassinato. Alguma semelhança com o filme de Billy Wilder?

Mudança de Hábito

Em QUERO SER GRANDE Tom Hanks é uma criança que por um processo mágico se transforma num adulto. Ou seja, uma criança disfarçada num corpo de adulto.

Quero ser grande

Só para citar alguns exemplos bem conhecidos. Mas o dirfarce é uma lei tão poderosa do cômico que o filme cujo plot está baseado no disfarce ou na troca de papéis tornou-se praticamente um subgênero dentro da própria comédia.

# 3 – Um homem que se disfarça é cômico. Extensivamente, todo o disfarce vai se tornar cômico, não só o do homem, mas também o da sociedade e até o da natureza.

Ex.: Havia um vulcão e deixaram-no apagar?

# 4 – As atitudes e movimentos do corpo humano são risíveis na medida exata em que esse corpo nos faz pensar numa simples máquina. É o automatismo instalado na vida.

Pense em qualquer comédia de Buster Keaton.

Buster kEATON

Ou nas comédias de Mr Bean para usar um exemplo mais recente!

Mr Bean

Nas comédias genais de Jacques Tati.

hulot.jpg

Mas talvez o melhor exemplo da 4a lei do cômico seja TEMPOS MODERNOS de Charles Chaplin, onde o homem é “engolido” pelas engrenagens e torna-se parte delas.

tempos-modernos2.jpg

# 5 – Rimos sempre que alguém nos dá a impressão de uma coisa.

Charles Chaplin agindo como máquina numa linha de produção em Tempos Modernos também é um bom exemplo de aplicação dessa lei.

# 6 – As cerimônias são para o corpo social aquilo que o vestuário é para o corpo individual.

É como se a cerimônia servisse como uma couraça ou armadura engessando o corpo social. Repare que qualquer cerimônia ou ritual fora de contexto parecerá ridículo e cômico. Não por acaso, muitas comédias escolhem momentos “ritualísticos” para revelar o humor contido neles. As comédias estão repletas de cena em casamentos, funerais, velórios, graduação, formatura etc.

Ótimos exemplos da aplicação eficaz e talensosa dessa “lei” são algumas comédias de Robert Altman, mas entre elas talvez o melhor exemplo seja CERIMÔNIA DE CASAMENTO, que descortina o ridículo por trás desse ritual.

A Wedding

Sem a mesma maestria, Altman revela o ridículo por trás do mundo da moda em Pret A Porter.

Pret a porter

# 7 – É cômico todo o incidente que chama a nossa atenção para o físico duma pessoa quando é o moral que está em causa.

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Assista A VIDA DE BRIAN um ótimo exemplo dessa 7a lei do cômico.

A Vida de Brian

# 8 – Por extensão do item 6: o corpo sobrepondo-se à alma – a forma a querer comprimir o fundo, a letra a querer importunar-se o espírito. Eis a fonte do ridículo profissional explorado em tantas comédias de Moliére. 

Ex.: Médico: “vale mais morrer respeitando as regras do que escapar contra as regras”.

 

Efeitos Causadores do Riso

Se você leu o post anterior, já sabe que a piada é dividida em 2 partes:

  1. Set up (preparação) 
  2. Punch line (desfecho).

Sabe que o set up é a parte que não é engraçada, mas deve conter uma “verdade” e, de preferência, um ponto de vista original sobre essa “verdade”.

Mais, o set up carrega nele duas ideias. A 2a ideia ou sentido encontra-se escondida “de baixo” do sentido mais óbvio, ou claro.

A punch line revela o 2o sentido ou ideia que estava oculto, causando a surpresa e o riso.

A punch line, normalmente, também carrega algum exagero.

Nesse ponto você – e aliás muitos comediantes – pode pensar que basta que a punch line tenha uma surpresa ou um exagero que faremos com que a plateia role de rir.

ERRADO!

A relação entre o set up e a punch line é importantíssima e revela o cerne, a alma de todo o riso:

# o mecânico inserido na vida.

Talvez você ainda não tenha se dado conta da importância disso, mas o assunto é tratado com profundidade nos ensaios do filósofo Henri Bergson reunidos em seu livro O RISO (que você consegue baixar na internet em PDF).

Poucos humoristas, de fato, dão a verdadeira importância para essa grande revelação de Bergson.

# O  riso sempre passará pelo mecânico inserido na vida e em seus desdobramentos.

Aqui um pequeno resumo dos EFEITOS CAUSADORES DO RISO listados por Henri Bergson:

#1 – A rigidez ou velocidade adquirida que nos fazem dizer ou fazer o que não pretendíamos é cômica porque revela o mecânico inserido na vida.

É precisamente o caso do homem que escorrega na banana e cai,  nos fazendo rir.

# Extensivamente, um vestuário poderá implicar em rigidez em relação ao corpo.

Lembre-se das inúmeras situações engraçadas que você já assistiu em filmes ou peças de teatro em que um personagem tem dificuldade em “caber” dentro de uma roupa. Ou como determinada vestimenta pode ser engraçada quando ela contraria ou exacerba a personalidade ou caráter de uma personagem.

# O corpo implicará em rigidez em relação à alma.

Exemplo: Um padre que fala de Deus provocará involuntariamente o riso se sentar-se no meio de um sermão. Diz-se que todo discurso torna-se engraçado se o palestrante resolve sentar-se.

# As palavras e a linguagem em relação às ideias.

Exemplo: tente reduzir qualquer ideia em uma regra implacável e ela se tornará  cômica.

Aqui cabe o exemplo do post anterior:

“Liberais acham que não merecem o que tem. Conservadores tem certeza que são dignos de tudo o que eles roubaram.”

E assim por diante.

Mais adiante, em outro post, mostrarei como usar essas relações para gerar um poderoso mecanismo de criação de piadas, personagens e situações cômicas.

#2 – O vício que parece inserir a pessoa que o tem em uma couraça, simplificando-a é cômico.

Não por acaso, várias comédias tem em seu título uma característica do protagonista, em vez do seu nome. Repare nos títulos dessas peças de Molière:

O PRÍNCIPE CIUMENTO, O CORNUDO IMAGINÁRIO, O MISANTROPO, O AVARENTO, O ANFITRIÃO, O BURGUÊS FIDALGO, AS ERUDITAS, O DOENTE IMAGINÁRIO etc.

Compare com algumas tragédias de Shakespeare:

HAMLET (e não O Príncipe Bi Polar)

RICARDO III (e não O Rei Manco)

OTELLO (e não O Ciumento)

MACBETH (e não O Ganancioso)

ROMEU E JULIETA (e não Os Enamorados)

# Diferença entre Drama e Comédia: O drama aprofunda as falhas que tornam a personagem única e particular. A comédia reduz a personagem aos defeitos ou cacoetes que a transformam num tipo facilmente identificável pelo público. 

# 3 – A rigidez de caráter é cômica na medida em que aprisiona o ser humano a um determinado tipo de atitude.

É cômica a personagem que segue o seu caminho automaticamente sem tratar de tomar contato com os outros. Por isso podemos rir tanto dos defeitos quanto das qualidades de uma pessoa. Basta que esta qualidade implique em uma rigidez social, ou de caráter.

Talvez o melhor exemplo da rigidez de caráter seja o personagem de Cervantes, Dom Quixote.

# Um vício corrigível é menos fácil de ridicularizar do que uma virtude inflexível.

Exemplos:

  • Um médico que está sempre examinando os outros, principalmente, aqueles que não são seus pacientes.
  • Um general que trata a família sob rígidas normas militares.
  • Um doente apegado as duas enfermidades.
  • Um advogado que trata de qualquer assunto sob a ótica da lei.

E assim por diante (a maioria dos protagonistas das comédias de Molière).

# 4 – O mecanismo inserido na vida:

“Por favor, repita o eclipse para que eu possa vê-lo.”

# 5 – Uma regulamentação automática da sociedade:

“Depois de cometer o crime ele fugiu sobre os trilhos infringindo uma lei da companhia.”

#6 – Uma regulamentação humana a substituir as leis da natureza.

“Deveríamos abolir a lei da gravidade, já que elas nos aprisiona ao chão”.

Tudo isso aponta para um outro aspecto da comédia observado por Bergson: Tensão e Elasticidade estão sempre presentes (veremos isso em detalhes quando falarmos do Cômico das Situações).

  • Faltam ao corpo: temos os acidentes de todas as espécies; as doenças, as imperfeições, etc.
  • Faltam ao espírito: todas as variedades da loucura.
  • Faltam ao caráter: temos as inadaptações profundas à vida social.

No próximo post, vou falar sobre as Leis do Cômico definidas por Henri Bergson.

Até lá!

 

 

Dissecando a Piada

 

Regra #1 – Toda piada é dividida em duas partes:

  • Set up (vou traduzir como “preparação”)
  • Punch line (vou traduzir como “desfecho”)

A preparação nos transmite uma informação.

O desfecho nos faz rir.

No Brasil é comum ouvir dizer que na comédia todo bom humorista tem um “escada”. E há uma tradição nesse sentido, no Brasil e no mundo: Oscarito e Grande Otello, Didi e Dedé, Dean Martin e Jerry Lewis, Abbott e Costelloo, o Gordo e o Magro etc.

O escada é o responsável por dar o set up ou preparar a piada.

Enquanto o comediante dá a punch line ou o desfecho, que nos faz rir.

O escada levanta. O comediante corta.

Evidente que só isso não é capaz de explicar porque rirmos de uma piada.

A questão é que na preparação (set up) da piada há uma pegadinha, um truque, que tem a intenção proposital de nos confundir, de nos induzir ao equívoco, à direção errada.

O truque é, na verdade, uma segunda história ou ideia contida na mesma sentença, um duplo sentido não revelado de cara.

Regra #2 – Uma piada são duas ideias que caminham juntas até certo ponto.

A primeira ideia é a mais óbvia, a que primeiro nos vêm à cabeça.

A segunda ideia nos surpreende e faz rir.

Exemplo #1  (Greg Dean)

“Minha mulher fugiu com meu amigo…” (set up)

Ideia #1 (óbvia) Estou infeliz porque sinto falta da minha mulher

Ideia #2 (surpresa) Estou infeliz porque sinto falta do meu amigo.

“…Meu Deus, como eu sinto a falta dele.” (punch line)

Exemplo #2  (Greg Dean)

“Meu avó morreu em paz, enquanto dormia…” (set up)

Ideia #1 (óbvia) Meu avô morreu em casa, de causas naturais, enquanto dormia.

Ideia #2 (surpresa) Meu avô dormiu enquanto dirigia um ônibus escolar.

“Mas as crianças do seu ônibus berraram muito.” (punch line)

Exemplo #3  (Woody Allen)

“Estava andando na floresta pensando em Jesus Cristo…” (set up)

Ideia #1 (óbvia) Estava pensando em Jesus Cristo, o líder religioso.

Ideia #2 (surpresa) Estava pensando em Jesus Cristo, o filho de um carpinteiro.

“Quanto será que ele cobrava pra fazer uma estante?” (punch line)

Exemplo #4  (Roseanne Barr)

“Estou casada há quinze anos e tenho três filhos…” (set up)

Ideia #1 (óbvia) Ela tem uma família perfeita e adora a maternidade

Ideia #2 (surpresa) O casamento é uma prisão.

“Obviamente, eu reproduzo bem em cativeiro.” (punch line)

Regra #3 – “…uma frase pode tornar-se cômica quando consegue conservar ainda um sentido mesmo depois de se alterar ou quando exprime indefinidamente dois sistemas de idéias completamente independentes…”. Henri Bérgson

Pense em qualquer piada. Ela sempre terá duas partes:

  • Set up (preparação)
  • Punch linha (desfecho)

Mesmo uma piada infame, onde a punch line, propositalmente, não tem nenhuma graça.

# Se a segunda ideia ou história escondida for óbvia demais, o público antecipará o final da piada e ela não terá graça. 

# Se a segunda ideia for difícil demais de entender, o público ficará confuso e também não irá rir.

Por isso é preciso clareza e concisão na mesma medida.

Mas não é apenas a surpresa que nos faz rir. É mais do que isso.

SET UPS

# É aconselhável que a preparação (set up) contenha uma verdade inegável, uma informação com a qual o público concorde e, de preferência se identifique.

# É melhor ainda que a preparação (set up) contenha um pensamento original sobre um fato ou tema. Uma visão que nos revele um outro prisma de uma verdade ou fato.

RELAÇÃO ENTRE SET UP E PUNCH LINE

Set up – uma informação original, um ponto de vista novo sobre um tema, ou sobre uma verdade inegável.

Punch line – uma mudança brusca de direção, uma surpresa. Um exagero dessa “verdade”.

Não é qualquer surpresa ou mudança de direção que nos fará rir.

Existe uma relação intrínseca entre o set up e a punch line. Essa relação é o que o filósofo Henri Bergson escreve ser o cerne de toda comédia, a própria natureza do riso:

Lei do Riso #1 – O que nos faz rir é o mecânico inserido na vida.

Rimos de tudo que nos lembre ou nos remeta ao mecânico inserido na vida, quando esta deveria ser fluida, vibrante, surpreendente, “viva” e não automática.

O agir mecanicamente, por exemplo, em um impulso que não sabe distinguir obstáculos, tem sido fonte inesgotável de números engraçados.

Um homem anda distraidamente pela rua. Anda mecanicamente. Há uma casca de banana no caminho. O homem distraído não percebe a casca, pisa sobre ela, escorrega e cai. Nós rimos do homem porque ao cair é como se ele revelasse que, mesmo que por alguns instantes, andava tão mecanicamente que foi incapaz de se desviar da casca de banana.

Quando “caímos” numa piada revelamos nosso modo mecânico de pensar que não foi capaz de perceber a segunda ideia ou história que o set up da piada “escondia”.

O público é o homem que caminha distraído. A piada é a casca de banana no meio do caminho, que faz o homem escorregar, mudar de direção e cair.

O comediante armou a piada de um jeito que o público não percebeu a segunda idéia que ela continha e induziu a platéia a seguir em uma direção. Em determinado momento, lá estava a casca de banana, a mudança de direção da piada, que segue no sentido da segunda ideia que até aquele momento parecia oculta. Como o homem que anda distraído, apressado, mecanicamente, o público não percebe a casca de banana e escorrega em seu próprio raciocínio, que continha um equívoco, armado pelo comediante, como a casca de banana atirada no meio do caminho. O público cai e ri ao perceber que, mecanicamente, estava seguindo na direção errada.

Quanto mais a piada revelar um mecanismo contido na própria vida ou no cotidiano, do qual ainda não nos havíamos dado conta, mais ela será engraçada.

Setup: (INFORMAÇÃO)

“Liberais acham que não merecem o que tem…”. (afirmação que parece verdadeira)

Ideia #1 – Estamos criticando os liberais. Quem conta a piada é contra os liberais.

Punch line: (EXAGERO)

“… Conservadores tem certeza que são dignos de tudo o que eles roubaram.”

Ideia #2 – Na verdade, estávamos criticando os conservadores. Citamos os liberais para deliberadamente desviar o foco.

Há um mecanismo de uso de palavras e inversão de ideias nas próprias sentenças.

Não merecer o que se tem X Ser digno do que se rouba.

Ao mesmo tempo, dividir o mundo entre liberais e conservadores é uma forma de mostrar uma espécie de engrenagem nas relações de trabalho e filosofias de vida. Como se elas fossem maiores que os próprios seres humanos e suas vontades, aprisionando-os numa espécie de armadura (explicarei melhor isso em outro momento).

Por enquanto é isso. Até o próximo post!

 

 

 

 

 

 

Vamos Falar Sobre Comédia?

Fiquei tão afastado desse blog que até esqueci de sua existência. Na realidade, por conta das redes sociais – principalmente do famigerado Facebook – fiquei com ‘bode’ profundo de qualquer tipo de exposição, mesmo que com objetivos claros de divulgação de um trabalho autoral/artístico (seja lá exatamente o que isso queira dizer).

O excesso de pessoas imbecis com opinião sobre absolutamente tudo, que acham que sabem escrever e tem necessidade quase doentia de se manifestar on line me fez perguntar:

– Por que, diabos, alguém iria querer ler o que eu escrevo? Estaria interessada no meu trabalho? Essas pessoas tem tantas coisas para dizer ao mundo (mesmo que menos de 1% do que seja ‘dito’ seja de fato interessante).

Depois, então, que meu filho de 13 anos me disse que Facebook era coisa de velho, eu com recém completados 50 anos decidir sair de vez dessa Rede Social. Queria tudo menos me sentir AINDA mais velho.

Somou-se a isso o fato de recentemente ter mergulhado numa pesquisa sobre hackers e espionagem digital para ficar com total paranóia de ter a minha vida exposta ou invadida.

E para piorar um pouco mais, o fato de trabalhar na televisão e para uma emissora que tanta gente odeia, só aumentava o meu senso de auto-preservação. Talvez fosse melhor ficar quieto, na minha.

A essa altura, se você teve paciência de chegar até esse parágrafo, deve estar se perguntando:

– Então, por quê esse idiota voltou a escrever num ah-que-coisa-mais-cafona-BLOG? Cansou de se esconder?

Não. Percebi que faria sentido escrever não para divulgar meu trabalho (coisa, aliás que duvido um pouco que um BLOG possa fazer no meu caso). Percebi que eu tinha um conteúdo que fazia sentido ser compartilhado, que poderia ajudar de graça outras pessoas interessadas em escrever comédia.

Sempre tive essa vontade de compartilhar o pouco que eu sei sobre comédia. Tanto que traduzi há mais de 15 anos atrás o livro STAND UP COMEDY – THE BOOK de Judy Carter e o disponibilizei para download em um antigo site pessoal.

Fiz isso depois de baixar diversos roteiros de séries em sites norte-americanos. A internet deles é bem mais interessante que a nossa (não só a internet, na verdade). Senti que estava em dívida com a rede.

Essa vontade voltou agora com mais força depois de eu me dar conta do quanto eu uso a internet (principalmente os tutoriais do youtube) para aprender desde inglês, a como tocar uma música no piano ou na guitarra e mais recentemente dicas de gravação de áudio e mixagem. E tudo isso absolutamente GRÁTIS.

É incrível! E eu senti que queria fazer parte dessa rede que usa a internet para coisas mais úteis do que postar sua foto com um famoso ou o prato que você comeu no almoço em algum restaurante da moda (nada contra dependendo do restaurante e do prato – boas dicas devem ser compartilhadas).

Pensei primeiro em fazer um canal no Youtube. Mas ainda estou tentando perder a timidez de falar para uma câmera e estudando o melhor jeito de exemplificar as aulas sem infringir nenhuma lei de direitos autorais (ainda mais eu mesmo sendo autor).

Cheguei a conclusão que a melhor forma de começar seria fazendo o que eu já sei (ou acho que sei): escrever.

Esse post inicial é para anunciar essa mudança. O próximo conterá as primeiras dicas para se escrever humor, comédia, piadas, ou resumindo, fazer as pessoas rirem.

De cara, já posso adiantar uma coisa. Uma pessoa “boazinha” jamais escreverá boa comédia. Se você não tem algum tema que lhe incomode, alguma espécie de revolta dentro de si, raiva do mundo, de alguém, de um tema, DESISTA. Comédia é para pessoas com opiniões fortes. Por que toda boa comédia precisa de um alvo. E é bom, hoje em dia, que você escolha os alvos certos. O mundo politicamente correto tornou a comédia mais difícil. E, sinceramente, posições racistas, machistas e misóginas são babacas mesmo.

Algumas dicas de bibliografia:

  1. O RISO de Henri Bergson (OBRIGATÓRIO)
  2. Writing Television Sitcoms: Revised and Expanded Edition of the Go-to Guide by Evan S. Smith (OBRIGATÓRIO)
  3. The Eight Characters of Comedy: Guide to Sitcom Acting And Writing by Scott Sedita (OBRIGATÓRIO)
  4. Stand Up Comedy – The Book de Judy Carter.
  5. Comedy Bible de Judy Carter
  6. The Comic Toolbox: How to Be Funny Even If You’re Not by John Vorhaus
  7. Comedy Writing Step by Step: How to Write and Sell Your Sense of Humor by Gene Perret
  8. Step by Step to Stand-Up Comedy by Greg Dean

Sim, os livros estão em sua ordem de importância na minha opinião. Sim, quase todos são em inglês. Mas o bom, nesse caso, é que eu já li todos eles e poderei te dar uns atalhos em português mesmo.

O RISO pode ser encontrado em PDF numa pesquisa simples na internet. Baixe e devore o mais rápido possível. E me pergunte o que você não entendeu, se for o caso.

Abordarei um resumo desse livro aqui também.

Se você gostou desse post e conhece alguém com interesse em escrever ou fazer comédia de alguma forma, ajude a divulgar.

Até o próximo post!